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ARAME FARPADO

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† Maurício †
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Mensagem por † Maurício † em Sex Dez 02, 2011 11:29 pm



Ela
caminhava lentamente para seus passos não serem ouvidos, arrastava a
trouxa com cuidado atrás de si, a coisa envolvida em trapos ainda tinha
leves espas mos e fazia um barulho como um de um sapo coaxando.


Ninguém
poderia descobrir seu segredo, ninguém poderia saber que aquela trouxa
tão imunda e desforme já fora um ser humano. Isso seria uma
tragédia,uma desgraça para sua vida amaldiçoada.

Ela não
fazia por mal, nunca quis ferir ninguém, a primeira vez fora sem querer,
estava brincando com um amigo, quando esse se desequilibrou e caiu da
ponte; ela tentou segurá-lo, mas ele escorregou; ela ficou vendo os
carros passarem por cima do corpo, depois a ambulância chegou e ela
sumiu... Ninguém nunca soube.

Então se tornou um vício,
era como se tudo o que ela tocasse morresse. Mas o pior não era isso; o
pior é que ela gostava de ver as coisas morrerem, era tão bom, melhor
ainda quando as vitimas reagiam...Ver o medo em seus olhos, a raiva,
sentir os golpes que elas davam enquanto morriam, ouvir os gritos e os
gemidos, então o silêncio...Ah! aquele delicioso silencio mórbido.
Ela
não conseguiria viver sem nada disso...Por isso nem tentara fugir de
seu "dom".Encontrara um pequeno campo ao lado de uma indústria de
produtos de limpeza. Era perfeito. O cheiro forte encobriria o fedor
putrefato dos cadéveres e os tóxicos logo se encarregariam de consumir o
que restasse das vitimas.

Pegando uma pá detrás de um
arbusto, ela cavou outra cova, suas mãos já estavam cheias de calos por
esta tarefa repetitiva, já estava bem funda em pouco tempo. Abrindo o
saco, ela jogou seu conteúdo dentro da cova, só se sabia qual era a
cabeça por causa do monte de cabelos cor de avelã, já que o resto era
algo retorcido e vermelho.
Ela fez uma careta quando percebeu que um
dos olhos grudara em seu sapato, limpou com a pá. Tirou da bolsa o
martelo, a arma do crime, que sempre enterrava junto com a vitima;
jogou-a no buraco, tampando-o com terra logo em seguida. Acabara, era
só isso.
Voltou para casa, seus pais ainda estavam dormindo, pegou
uma faca no armário, esquentou-a no fogão, levantou a manga do moleton
revelando o braço cheio de cicatrizes. Marcou com a faca incandescente
mais uma cruz no braço, era seu modo de dizer adeus a mais aquela pessoa
que alimentara seu vício. Pegou os documentos da vítima, guardando-os
numa caixa de "Sonho de Valsa" que tinha no armario atrás das calças
jeans. Olhou o relógio,2:35 da manhã, fora rápida, ainda dava tempo para
mais um...

Ela entrou devagar e sem fazer barulho, já
estava especialista em quebrar janelas sem ruído. Se dirigiu ao quarto
onde o casal dormia, tirou algo da bolsa e segurou firmemente em ambas
as mãos,uma luz se acendeu atrás dela. Ela mal teve tempo de olhar, seu
rosto foi envolvido por algo que ela reconheceu como arame farpado que
lhe cortava e entrava em sua boca. A dor a envolveu, era interminável, o
jovem tinha força e a mantinha no chão enquanto puxava e puxava aquele
fio cheio de pontas. Via a surpresa e a dor no rosto juvenil dela,devia
ter uns dois anos a menos que ele próprio. Não demorou muito para que
ele dividisse aquele rosto bonito em dois,o sangue tinha formado uma
poça no chão,ele levo o corpo até um baú em seu quarto,em breve a
enterraria ou jogaria em um lago, o que aparecesse primeiro, escondeu a
bolsa dela na antiga caixa de seu playstation atrás das roupas de
futebol. Limpou o sangue com o pano de chão,o lavou e o estendeu no
varal.
Começara há algum tempo, não tinha a menor intenção de
matar, mas o ladrão invadira a casa e apontara uma arma para sua irmã,
que dormia; ele bateu com um vaso de ferro na cabeça do idiota, batera
forte demais e o homem caíra; ele de teve que despedaçá-lo para que
coubesse no baú, a partir de então se tornara um vício,algo de que ele
precisava, algo louco e insano que o dominava.
Ele trancou o baú esperando o amanhecer, voltou a dormir...Era assim, um dia da caça outro do caçador.

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